Acordo Mercosul-UE brilha como catalisador de negócios nas reuniões anuais do BID

O tratado de livre comércio (TLC) entre o Mercosul e a União Europeia dominou nesta sexta-feira o início da terceira jornada das reuniões anuais do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) realizadas no Paraguai, em um evento com representantes de destaque de ambos os blocos que ressaltaram o potencial desse acordo como catalisador de investimento e crescimento.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que, apesar dos mais de 20 anos para se chegar à assinatura do pacto, o fato de essas duas regiões que “compartilham valores” terem conseguido alcançar consensos “envia um sinal muito importante ao mundo”.

Peña destacou que seu país aprendeu que “o crescimento sustentável está profundamente vinculado com a qualidade e a abertura ao mundo” e que, por isso, Assunção entende “esse acordo não apenas como uma oportunidade comercial, mas como uma oportunidade de transformação econômica”.

O mandatário reconheceu que “os acordos internacionais por si sós não geram desenvolvimento”, mas “abrem as portas”, e valorizou o apoio do BID para que seu país cresça “melhor” com seus convites para melhorar padrões, investir em infraestrutura, fortalecer o capital humano e acompanhar as empresas, especialmente as pequenas e médias, “para que possam aproveitar as oportunidades que se abrem”.

Nesse sentido, o próprio presidente do Grupo, Ilan Goldfajn, disse em seu discurso no evento que a entidade constitui “o único banco multilateral com membros do Mercosul e da UE” e que, por isso, constitui uma “ponte natural” como facilitador estratégico no atual contexto.

Peña ressaltou o compromisso de seu governo para acompanhar o processo de crescimento e desenvolvimento que se abre com o tratado, acompanhando-o com políticas públicas para investir em infraestrutura, formação técnica ou digitalização e, acima de tudo, com o estabelecimento de instituições sólidas “para oferecer segurança jurídica a quem investe”.

PAPEL FUNDAMENTAL DO SETOR PRIVADO

O presidente paraguaio enfatizou que, em última instância, “as empresas, os empreendedores e os investidores são os que transformam as oportunidades em crescimento real”.

O ministro da Economia e Finanças do país sul-americano, Carlos Fernández Valdovinos, que é o governador pelo Paraguai perante o Grupo BID, concordou com essa perspectiva ao afirmar que a administração pública “prepara o campo”, mas “o setor privado é quem joga a partida”.

Por sua vez, o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, parabenizou Assunção, em mensagem gravada em vídeo, por realizar um processo rápido de aprovação de um tratado que criará um mercado comum “de 720 milhões de consumidores” e que será muito útil em um momento de “crecente imprevisibilidade global”.

O titular das Relações Exteriores paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, que também participou do evento acompanhado pelos chanceleres do Brasil e do Uruguai, Mauro Vieira e Mario Lubetkin, e pelo secretário de Coordenação de Produção argentino, Pablo Lavigne, considerou que — após a aprovação prevista para terça-feira na Câmara dos Deputados — o acordo terá sido plenamente ratificado até 31 de março para entrar em implementação provisória no Paraguai.

Lubetkin, por sua vez, destacou a vontade mostrada pelos quatro países integrantes do Mercosul, apesar de suas diferentes agendas políticas, para a assinatura de um tratado que aspira acabar com 90% das tarifas aplicadas ao comércio entre ambos os blocos e criar a maior zona de livre comércio do mundo.

Por sua vez, Lavigne pediu que se alcance uma verdadeira “unificação de regulamentações” dentro do próprio marco do Mercosul para que as pequenas e médias empresas de seus quatro integrantes enfrentem muito menos obstáculos em suas respectivas alfândegas. EFE