A primeira sessão plenária das reuniões anuais do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), realizadas nesta semana no Paraguai, ocorreu nesta sexta-feira, quando também foi apresentado o LAC Minerals, uma nova iniciativa destinada a desenvolver cadeias de valor que vão além da simples extração e promovam um crescimento sustentável na América Latina e no Caribe.
O novo programa, articulado por meio do BID e do BID Invest, o braço do grupo focado no setor privado, sustenta-se sobre três pilares: impulsionar reformas políticas para facilitar o investimento; mobilizar investimento privado e gestão de riscos; e desenvolver cadeias de valor e infraestruturas públicas e privadas complementares.
Esse último ponto é importante, visto que muitas explorações se encontram em áreas remotas que exigem conexões de transporte e abundante quantidade de água, afirmou à EFE o gerente do setor de Infraestrutura e Energia do BID, Tomás Serebrisky.
O LAC Minerals busca aproveitar a situação privilegiada da região em matéria de minerais críticos. Além de contar com grandes reservas de lítio, cobre e níquel, espera-se que, impulsionada pela crescente demanda dos setores tecnológico, automotivo e de energias renováveis, em poucos anos a região se consolide como uma fornecedora ainda mais importante.
A América Latina já contribui com cerca de 30% da oferta global destes minerais, e espera-se que a demanda mundial — impulsionada pelo interesse de EUA, Europa, Japão e Coreia do Sul em diversificar suas cadeias de suprimento — de materiais como o lítio aumente entre 470% e 800% até 2050.
Trata-se da região do mundo com a maior quantidade de projetos de mineração em desenvolvimento, que, segundo estimativas do BID, superam os US$ 150 bilhões, explicou Serebrisky.
No entanto, estudos publicados pelo Grupo destacam como fundamental ir além da pura extração e apostar também no desenvolvimento de capacidades de refino e processamento, com o fim de gerar uma cadeia de valor completa que permita que o setor proporcione um crescimento mais transversal e equitativo.
“O BID, e o BID Invest em particular com o setor privado, pode ser a ponte entre os grandes capitais e as grandes companhias que têm interesse na região”, explicou, por sua vez, Guillermo Foscarini, diretor-chefe da divisão de Corporativos do BID Invest.
Para Foscarini, trata-se de “gerar mais investimentos com impacto de desenvolvimento e de uma maneira responsável, mantendo os padrões ambientais e sociais mais altos”.
SESSÃO INAUGURAL DAS PLENÁRIAS
Na sessão inaugural das plenárias realizada nesta sexta-feira, o ministro de Economia e Finanças do Paraguai, Carlos Fernández Valdovinos, foi eleito novo presidente da Assembleia de Governadores do Grupo.
O presidente em fim de mandato, o subsecretário da Fazenda chileno, Juan Pablo Rodríguez, elogiou as iniciativas implementadas desde as assembleias realizadas há um ano em Santiago, muitas concebidas, por sua vez, nos encontros anuais de 2024 em Punta Cana.
Rodríguez destacou que a entidade conseguiu avançar “do que ao como” na implementação do marco BIDImpact+, a iniciativa que integra os trabalhos dos três braços do Grupo.
Por sua vez, Fernández Valdovinos garantiu que é o “momento de consolidar esses avanços”, que a região está ganhando “renovada relevância global” e que conta, além disso, com ativos — desde recursos naturais ou alimentares a uma matriz energética limpa — que a colocam em situação privilegiada e lhe permitem “ser parte da solução para os desafios globais”.
“O desafio central da nossa região é um só: traduzir esse potencial que temos hoje em realidades, ou seja, em crescimento sustentado, em investimento produtivo e em bem-estar real para todos os nossos cidadãos”, afirmou.
Em seu discurso, o presidente do Grupo, Ilan Goldfajn, congratulou-se pela capitalização bem-sucedida do BID Invest anunciada nestas reuniões do Paraguai, assim como pelo processo em curso para criar um novo Plano de Relacionamento com a Sociedade Civil para tornar ainda mais eficientes os impactos dos financiamentos da entidade. EFE