O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou nesta quinta-feira o BID Cuida, uma iniciativa que busca melhorar o sistema de cuidados para a população dependente, impulsionando o crescimento econômico e reduzindo a desigualdade.
O lançamento foi realizado durante as reuniões anuais do organismo em Santiago do Chile, que começaram na quarta-feira com seminários temáticos e que, de sexta a domingo, irão reunir a 65ª Assembleia de Governadores do BID e a 39ª de BID Invest, o braço do BID que trabalha com o setor privado.
“Algo que todas as famílias têm em comum é que sempre há alguém que precisa de ajuda”, disse em sua apresentação o presidente do BID, Ilan Goldfajn, esclarecendo que, por cuidados, se entende tanto a assistência a crianças e idosos dependentes quanto o trabalho doméstico, embora “isso se estenda muito além do lar e seja uma fonte econômica vital”.
Diana Rodríguez, assessora especial em Gênero e Diversidade do BID, explicou à imprensa que esses serviços são “o motor da economia”, permitindo que qualquer outro trabalho seja possível.
Apesar da conscientização compartilhada sobre sua importância, os cuidados continuam invisíveis e desigualmente distribuídos. Se todo esse trabalho fosse remunerado, representaria em média 21% do PIB da América Latina e do Caribe, segundo dados do banco multilateral.
Trata-se de um setor com alta informalidade laboral, salários baixos e poucas oportunidades de desenvolvimento profissional. Estima-se que, até 2050, serão necessários na região 14 milhões de cuidadores profissionais para idosos, quase cinco vezes o número atual.
As mulheres assumem de forma “desproporcional” esse trabalho, tanto o remunerado quanto o não remunerado, o que limita o tempo que elas podem dedicar a empregos formais e, por isso, tem um impacto negativo na renda familiar.
O lançamento do BID Cuida ocorre em um momento em que a América Latina e o Caribe estão envelhecendo a um ritmo “sem precedentes”.
Há atualmente oito milhões de idosos que precisam de cuidados, e espera-se que, até 2050, esse número se triplique, segundo o organismo.
“Isso é o oposto da imagem que tínhamos de uma América Latina cheia de crianças correndo”, disse a assessora.
O BID Cuida busca sistemas integrados de cuidados que organizem sua prestação, garantam que os prestadores de serviços respeitem os padrões de qualidade e incentivem oportunidades de formalização, profissionalização e certificação de competências.
Pilares estratégicos
Sua estratégia baseia-se em três pilares: fortalecimento dos marcos institucionais, aumento do investimento em serviços de qualidade e promoção de uma distribuição mais equilibrada das responsabilidades.
As oportunidades para formalizar esses empregos incluem contratos padronizados, registro de cuidadores em plataformas que conectam demanda e oferta, e a formação de cooperativas.
De acordo com o BID, serviços de qualidade beneficiam todo o ambiente envolvido: as crianças melhoram seu aprendizado e saúde, os custos com saúde diminuem ao reduzir o uso de serviços hospitalares e o absenteísmo no trabalho é reduzido.
Para esse objetivo, a colaboração público-privada é fundamental: embora os governos financiem parte dos serviços de longa duração, a maioria é fornecida por atores privados.
De acordo com a entidade, o setor privado tem a capacidade de trazer inovação, mas as administrações devem facilitar o empreendedorismo.
O organismo já oferece assistência técnica e financeira na América Latina e no Caribe em diferentes dimensões dos cuidados, como governança e financiamento, serviços, dados, regulamentações ou apoio aos cuidadores.
No entanto, esse novo plano, resumiu Rodríguez, é mais amplo, já que, até agora, o apoio “era mais isolado e, sobretudo, no setor público”.
O BID Cuida permitirá trabalhar com diversos parceiros para atender às demandas existentes, mas não contará com um financiamento específico, e as condições de seus empréstimos serão acordadas com cada país. EFE