Diversificar os produtos exportados, aumentar a participação de pequenas e médias empresas e atrair investimentos vinculados à transição verde são as principais linhas de ação da estratégia brasileira para aproveitar o mercado aberto após o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE).
A entrada em vigor do acordo, em maio, já permite que avanços sejam vistos. O Brasil passou de registrar um déficit de US$ 855 milhões com a União Europeia (UE) entre janeiro e agosto de 2025 para um superávit de US$ 3,3 bilhões no mesmo período deste ano, com um aumento de 20% nas exportações para o bloco europeu.
O país, inclusive, está conseguindo aumentar suas vendas externas apesar das tensões geopolíticas vividas atualmente, segundo explicou nesta quinta-feira em um encontro com empresários no Rio de Janeiro o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Laudemir Müller.
Enquanto as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram US$ 1,9 bilhão neste ano, as vendas para a União Europeia aumentaram US$ 7,4 bilhões.
Müller destacou que o acordo com a UE tem três aspectos relevantes: gerar maior confiança para atrair investimentos, abrir espaço para produtos brasileiros vinculados à sustentabilidade e aumentar os fluxos comerciais.
No âmbito dos investimentos, o presidente da Apex falou em entrevista à EFE sobre o interesse que já despertam setores como os de minerais críticos, energia e hidrogênio.
ALÉM DA CARNE E DA SOJA
Enquanto isso, a agência busca ampliar o acesso europeu a produtos da Amazônia e da agricultura familiar, como a castanha-do-pará, as frutas próprias da região como o açaí e os artesanatos.
A Apex passou de trabalhar com cerca de 40 cooperativas há alguns anos para cerca de 600 hoje em dia, mais de 95% delas integradas por pequenos agricultores ou produtores familiares. Müller espera que pelo menos 400 possam gerar negócios com países europeus.
No bloco europeu também se destacam oportunidades em setores como a aeronáutica, motores e geradores elétricos, móveis, componentes para automóveis e o de produtos químicos.
Müller também afirmou que a agência busca impulsionar o setor têxtil e da moda, um dos mais afetados pelas novas tarifas.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de algodão, e a Apex quer aumentar seu uso na indústria têxtil como alternativa às fibras sintéticas e por ter um menor impacto na poluição por microplásticos.
A agência ampliou as rodadas de negócios com compradores europeus, sua presença em feiras e eventos e as ações de promoção de produtos brasileiros. Também criou um painel que permite identificar oportunidades por produto e mercado.
Quanto a investimentos, a Apex trabalha para atrair investimentos europeus, especialmente no que se refere às energias verdes, embora também haja interesse em minerais críticos e terras raras.
DIFERENCIAL BRASILEIRO
Müller declarou que um dos principais diferenciais do Brasil é sua política externa de “equidistância”, que lhe permite manter relações comerciais e atrair investimentos de diferentes blocos sem se alinhar exclusivamente a nenhum.
Segundo o presidente da Apex, essa posição permite ao país “negociar com todo o mundo” e é um ativo em meio a um cenário marcado pelas tensões entre grandes potências e pela busca de parceiros considerados confiáveis.
Ele também citou outros pontos fortes como a abertura comercial e as condições próprias do Brasil – seus recursos naturais, sua matriz energética de fontes renováveis, a biodiversidade e sua capacidade agrícola e industrial. EFE