Crescimento do empreendedorismo feminino na América Latina protagoniza debates no FinnLAC

 O fórum FinnLAC 2025 destacou nesta quarta-feira que as mulheres da América Latina e do Caribe começam a ter maior presença em setores considerados não tradicionais para elas e que, por isso, para impulsionar seus empreendimentos, é mais necessário do que nunca desenhar produtos feitos sob medida.

Como motoristas da Uber, trabalhadoras da construção civil ou do setor agropecuário, esses são espaços que agora também são ocupados por mulheres na região. E, por essa razão, é preciso estruturar produtos financeiros cada vez mais personalizados.

Essa foi a recomendação feita hoje no FinnLAC por Wendy Teleki, diretora da Secretaria da Iniciativa de Financiamento para Mulheres Empreendedoras (We-Fi), vinculada ao Banco Mundial.

Teleki falou sobre o sucesso do We-Fi em mais de 60 países, em um painel que também contou com Jorge Guillermo Solís, presidente da instituição de poupança peruana Caja Huancayo.

Solís citou como exemplo de boa integração financeira uma cooperativa que produz óleo e manteiga de cacau na Amazônia — uma região repleta de micro e pequenas empresas, onde 80% da economia é informal — e que recebeu apoio de sua instituição.

“Não se trata apenas de conceder crédito; precisamos acompanhá-las com ferramentas para que o processo de integração à vida produtiva seja bem-sucedido, como neste caso”, afirmou Solís.

Em outro simpósio, Mariana Martínez, facilitadora global do Grupo Consultivo de Assistência aos Pobres (CGAP), um centro de estudos apoiado pelo Banco Mundial, falou sobre a intencionalidade necessária nos setores público e privado para alcançar uma integração plena e equitativa das mulheres nos ecossistemas financeiros.

“É preciso ter intenção para que o mundo seja neutro em termos de gênero”, explicou.

Para ilustrar uma colaboração bem-sucedida nessa área, Gabriela Zapata, consultora estratégica do CGAP, mencionou os dez princípios para adoção de uma perspectiva de gênero em instituições financeiras, elaborados em 2024 em cooperação com a Secretaria de Fazenda do México.

“É um roteiro, mas como disse a Mariana, é preciso intenção e vontade para adotá-lo”, destacou Zapata.

Mercedes Canalda, presidente executiva da Adopem, banco de poupança e crédito da República Dominicana com 70% de clientes mulheres, compartilhou seu amplo conhecimento em apoio financeiro.

Ela destacou que as mulheres não são apenas “melhores pagadoras”, mas também mais associativas que os homens — motivo pelo qual o tratamento personalizado que devem receber como clientes é ainda mais importante.

Andrés Calderón, presidente de risco e análises avançadas da Accion, organização sem fins lucrativos de microfinanças e investimento de impacto, insistiu também nas particularidades das mulheres empreendedoras da região.

Calderón afirmou que “há mais mulheres chefes de família na América Latina do que em outras regiões”, e que, só por isso, “é necessário desenhar produtos mais específicos para elas”. EFE