As novas tecnologias, sobretudo a inteligência artificial (IA), estão transformando a economia global e acelerando a expansão do mercado de capital de risco corporativo (CVC na sigla em inglês), e o Brasil se projeta nesse cenário como líder latino-americano e polo regional de inovação.

Esse panorama foi defendido por especialistas que participaram ontem e nesta quarta-feira, em São Paulo, do segundo maior encontro do setor no mundo, onde concordaram que a IA é a tese transversal mais relevante para os CVCs de todo o planeta e projetaram para o Brasil um crescimento moderado no volume de investimentos nos próximos anos.
“O tamanho e a força da economia do Brasil, especialmente em nível regional, juntamente com uma população que está entre as mais sofisticadas do mundo no uso da internet e da tecnologia, criam condições férteis para os empreendedores“, destacou em entrevista à EFE James Mawson, o diretor executivo da publicação Global Corporate Venturing (GCV), que organiza o encontro desde 2015 em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Para o britânico, a IA demonstrou ser transformadora “ao ajudar os investidores a criar mapas de mercado ou identificar oportunidades”. Ele indicou que os próximos passos devem consistir em “auxiliar as corporações a transformar seus pontos fracos em empresas emergentes com as quais possam colaborar e que, por sua vez, sejam investíveis, gerando assim um círculo virtuoso de feedback positivo”.
BRASIL COMO DESTINO DE INVESTIMENTOS
Por sua vez, o diretor de gestão corporativa da ApexBrasil, Floriano Pesaro, ressaltou que o Brasil aposta no CVC entre suas estratégias centrais para atrair capital e continuar impulsionando a inovação em um mercado cada vez mais maduro.
Ele explicou que esses fundos contam com um amplo menu de investimentos e mecanismos de avaliação de risco que contribuem para aumentar a confiabilidade dos projetos nos quais investem, o que considerou “positivo” para o Brasil.
“Quando se percebe um movimento de Corporate Ventures para determinadas áreas ou setores da economia, nota-se que não chega apenas um. Logo vêm outros, porque também competem entre si”, observou.
Além disso, Pesaro lembrou que não se trata apenas de capital financeiro, “mas também de geração de emprego, de conhecimento, de tecnologia, de redes globais e de novas oportunidades para o desenvolvimento sustentável do Brasil”.
Ele considera fundamental que o país aprenda a se comunicar de forma mais assertiva com os atores globais do setor e ressaltou a importância do Corporate Venture Brasil, que em 10 anos reuniu mais de 140 corporações internacionais e gerou mais de US$ 750 bilhões em investimentos.
POTENCIAL LATINO-AMERICANO

Liderada pelo Brasil, a América Latina representa apenas 18% das 2.344 unidades de Corporate Venture Capital (CVC) ativas em 2024, mas tem um grande potencial para se desenvolver neste setor, que movimentou em 2024 cerca de US$ 132,9 bilhões em investimentos em todo o mundo, um aumento de 25,6% em relação a 2023.
Essa alta foi impulsionada, sobretudo, por segmentos de alta intensidade tecnológica, como biotecnologia, empresas financeiras (fintechs) e empresas emergentes de IA, que no segundo trimestre de 2025 alcançaram globalmente US$ 47,3 bilhões em investimentos.
Nesse sentido, a diretora de investimentos do Softbank, Maria Tereza Azevedo, afirmou durante sua participação no evento que na América Latina existem grandes oportunidades para investir em empresas tecnológicas e soluções importantes.
“Na região existem desafios reais, uma enorme população e um grande talento local. Poder aproveitar a tecnologia juntamente com todos esses aspectos positivos foi precisamente o que atraiu nosso fundo“, disse ela durante sua participação no Corporate Venture Brasil nesta quarta-feira.
Azevedo destacou, ainda, o protagonismo do Brasil, onde estão alocados dois terços dos US$ 7,5 bilhões investidos pelo fundo do Softbank em toda a região desde 2019.
Durante a nona edição do Corporate Venture Brasil, que foi realizada nos dias 21 e 22 de outubro, executivos de CVC de toda a região participaram de painéis temáticos que discutiram as tendências de mercado, desafios e soluções, e também tiveram a oportunidade de participar de workshops e rodadas de negócios.