O diálogo público-privado é absolutamente indispensável para criar infraestruturas e ecossistemas funcionais que permitam o crescimento e a concorrência saudável do setor fintech na América Latina, de acordo com especialistas e autoridades que participaram do segundo dia do FinnLAC 2025.
O número de fintechs na região disparou nos últimos anos, com mais de 3.000 já contabilizadas em toda a América Latina, segundo dados apresentados durante o evento organizado pelo Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
“Parte desse crescimento vem sendo impulsionada pelo desenvolvimento de políticas públicas que têm permitido o funcionamento do ecossistema fintech”, disse à EFE Diego Herrera, especialista principal da Divisão de Conectividade, Mercados e Finanças do BID.
Herrera e outros palestrantes citaram hoje, no encerramento do FinnLAC no Hotel Intercontinental de Miami, casos de sucesso como o Bre-B, sistema de pagamentos imediatos do Banco Central da Colômbia que permite transferências instantâneas e gratuitas entre diferentes instituições financeiras do país.
Para Herrera, no caso do Bre-B houve “um diálogo público-privado muito forte”.
“Indústria e reguladores se reuniram e conseguiram estruturar um sistema com mesas de diálogo sobre temas específicos, o que permite uma dinâmica que faz com que a regulamentação possa evoluir”, explicou.
“Esse é o tipo de sucesso que vamos apoiar por meio da nossa iniciativa BID Pagos”, acrescentou, em referência ao projeto apresentada no FinnLAC que busca acelerar a implementação de sistemas de pagamento digital em tempo real e de baixo custo em toda a América Latina e Caribe.
Por sua vez, Ana María Ibáñez, vice-presidente de Setores e Conhecimento do BID, afirmou que os vários debates realizados entre atores públicos e privados no FinnLAC demonstram “como os marcos regulatórios podem se adaptar à velocidade da inovação, garantindo a proteção do consumidor, a estabilidade financeira e a inclusão”.
Ela conversou em um painel com Javier Suárez, presidente do banco colombiano Davivienda, que implementou o Bre-B em suas plataformas digitais e também no DaviPlata, seu banco digital nativo, que no início de 2025 superava 18,7 milhões de usuários.
“É preciso assumir riscos, porque quem não inova, na verdade, enfrenta os mesmos riscos — só que sem controlar seu próprio destino”, afirmou Suárez, destacando a necessidade de o setor privado mostrar iniciativa para estabelecer esse diálogo com os reguladores.
Outro debate do dia se concentrou na infraestrutura para sistemas de pagamento instantâneo. Ali, Diego Vera-Cossio, economista do Departamento de Pesquisa do BID, enumerou os quatro principais desafios nessa área: reduzir brechas persistentes nos meios de pagamento digitais; passar dos pagamentos para um maior acesso ao crédito; permitir o compartilhamento de dados financeiros protegendo o usuário; e “considerar a tensa relação entre informalidade e adoção de métodos de pagamento digitais”.
No mesmo simpósio participou também Diego Caicedo, diretor executivo da Revolut Colômbia, que destacou a importância de uma infraestrutura robusta, estável e eficiente para permitir um mercado competitivo.
“A concorrência beneficia o cliente, e o cliente é a nossa razão de ser. Queremos trazer mais e mais opções para os consumidores. E, para isso, a infraestrutura básica precisa funcionar — o ecossistema tem que existir”, afirmou Caicedo. EFE