O fórum FinnLAC 2025 começou nesta terça-feira com um recado claro para as entidades financeiras e reguladores: é preciso continuar trabalhando para que as milhões de pessoas que ainda não têm acesso a serviços bancários na América Latina e no Caribe o obtenham, mas também é hora de ampliar o foco e começar a pensar na importância da saúde financeira para clientes e usuários.
O encontro, organizado pelo Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e realizado até esta quarta-feira no Hotel Intercontinental de Miami, com a presença de 70 palestrantes e mais de 500 participantes, iniciou destacando que 70% da população da região, especialmente graças ao salto tecnológico da última década, já faz parte do ecossistema financeiro.
“Em termos numéricos, 60 milhões de adultos entraram no sistema financeiro, 9 em cada 10 pessoas têm acesso a um telefone celular, e o número de pagamentos digitais se quintuplicou. Ou seja, a tecnologia está aí”, explicou hoje em entrevista à EFE a diretora-gerente e chefe do setor financeiro do BID Invest, Marisela Alvarenga.
“Demos a oportunidade para que mais gente entrasse no sistema financeiro, mas por que também falamos de saúde financeira e queremos ir além? Porque agora o tema está mais ligado à confiança”, acrescentou, em referência a um dos grandes assuntos abordados no simpósio sobre tecnologia financeira e acessibilidade na América Latina.
O FinnLAC lançou hoje a mensagem de que, enquanto se trabalha para incluir os 30% restantes da população — cerca de 140 milhões de latino-americanos ainda fora do sistema financeiro —, é necessário também fortalecer as capacidades de gasto, poupança e investimento daqueles que já utilizam diferentes serviços diretamente de seus dispositivos eletrônicos.
Alvarenga insistiu que se trata de construir a confiança de clientes e usuários para que saibam administrar melhor suas contas, planejar seu futuro e se proteger, por exemplo, por meio da contratação de seguros em uma região altamente exposta aos efeitos das mudanças climáticas.
A complexa definição de saúde financeira
Gerenciar as finanças do dia a dia, poder enfrentar imprevistos, ter capacidade de poupança e investimento para o futuro e contar com uma sensação de confiança são os quatro requisitos para uma boa saúde financeira, segundo a definição consensual do G20, lembrou Sophie Sirtaine, diretora executiva do Grupo Consultivo de Assistência aos Pobres (CGAP) do Banco Mundial, também participante da jornada de hoje.
A própria Sirtaine e outras palestrantes enfatizaram que a definição de saúde financeira pode ser flexível e variar de pessoa para pessoa. Ainda assim, o resultado de manter uma boa saúde financeira, destacou a responsável do CGAP, é inequívoco: qualquer cliente bancário tende a ter melhor saúde física e maior produtividade.
Por sua vez, Paola Andrea Arias, diretora da Banca de las Oportunidades, programa do governo da Colômbia que busca promover a inclusão financeira de famílias de baixa renda, explicou em um simpósio intitulado “Explorando novos horizontes: da inclusão à saúde financeira” que há componentes “objetivos” e “subjetivos” ao definir saúde financeira — variáveis que afetam cada país, comunidade e indivíduo.
“O bem-estar financeiro depende de diversos fatores interconectados, que vão desde a proteção social até o nível de desenvolvimento social e econômico de um país”, destacou Arias.
“Por isso é importante definir o que vamos medir, como vamos medir e quem vamos medir”, acrescentou. EFE