María C. Martín
Buenos Aires (EFE) – Com uma gastronomia rica e variada, a Argentina proporciona experiências como saborear uma empanada em uma peña (restaurante tradicional do norte), degustar um pão com linguiça em um carrinho de rua em Buenos Aires e se deliciar com pratos típicos de cordeiro ou truta na Patagônia, que podem ser harmonizados com um malbec robusto ou com um fresco torrontés, vinhos nacionais emblemáticos.
A Argentina tem sabores tão díspares quanto sua geografia e suas paisagens, com mais de 5.000 quilômetros que se estendem do extremo norte, na província de Jujuy, até o sul, na Terra do Fogo, e preserva as tradições indígenas e as recebidas das diferentes culturas e países que passaram e continuam passando por seu território.
Em meio às eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2026, o orgulho que os torcedores sentem por sua seleção, atual campeã mundial, inclui o fato de que muitos jogadores nascidos em diferentes cantos do país estão espalhados pelas melhores ligas de futebol do mundo.
Da mesma forma, a culinária argentina conseguiu recentemente integrar seus costumes mais arraigados com as tendências do resto do mundo, em detalhe que, entre muitos outros, contribuiu para elevar sua qualidade.
Como consequência disso, a partir de 24 de novembro, vários restaurantes de Buenos Aires e Mendoza começarão a receber estrelas Michelin.
Essa “rica herança culinária”, juntamente com o “caldeirão cultural e as consecutivas ondas de migração”, bem como os “novos conceitos” de sua cozinha, foram características destacadas pelo diretor internacional do Guia MIchelin, Gwendal Poullennec, quando anunciou a inclusão da Argentina meses atrás.
Mauro Colagreco, três vezes ganhador desse valioso selo de qualidade na França; Paulo Airaudo, duas vezes na Espanha; e Agustín Ferrando, uma vez em Hong Kong, são alguns dos chefs argentinos que conseguiram triunfar em países estrangeiros, assim como fizeram no futebol os jogadores Lionel Messi, Emiliano Martínez ou Ángel di María; outros, como Pedro Bargero ou Julio Báez, treinaram no exterior e depois voltaram para casa.
SEGUNDAS GERAÇÕES
“É algo que vem acontecendo e se firmando cada vez mais. Hoje já há segundas gerações de chefs argentinos treinados nessas primeiras escolas de culinária”, explica Bargero, chef do Amarra, herdeiro natural do Chila, um restaurante que, durante seus 17 anos de vida, esteve várias vezes entre os melhores da América Latina.
Em comunicação com o Instituto de Promoção Turística (Inprotur) da Argentina, o renomado chef de 33 anos destacou que uma “segunda geração de produtos locais, que começa a se fundir com sabores e conceitos estrangeiros” já é tendência, o que permite, por exemplo, que o tradicional churrasco ou qualquer carne grelhada, se misturem com “outras culturas, como a tailandesa, a japonesa, a árabe”.
Apaixonado e criativo, esse argentino nascido em Mendoza aprendeu com os melhores do mundo; além de sua passagem pelo Mirazur, restaurante de Colagreco em Menton (França), visitou o francês David Toutain em Paris e o brasileiro Alex Atala em São Paulo, antes de voltar ao seu país com a ideia de revolucionar a gastronomia nacional.
CRESCENDO JUNTOS
Outro pupilo de Colagreco foi Julio Baez, um chef de 37 anos que batizou seu restaurante em Buenos Aires de “Julia”, em homenagem à sua filha, e hoje é um dos mais destacados da região, de acordo com o World Best Latin America.
Com pratos que são quase uma obra de arte, a mistura de sabores do mundo traz ao cardápio desde um wagyu argentino grelhado até lula, erva-doce e uvas queimadas, com vinagrete de torrontés e pimentas fermentadas.
Em sua opinião, “nos últimos 10 ou 15 anos, houve uma grande evolução em termos de diversidade regional, ajudada pela tecnologia”, que encurtou as distâncias.
“Isso ajuda a compartilhar conhecimento e cultura, o que resulta em crescimento e conhecimento. A única maneira de evoluir é em conjunto”, explicou ele ao Inprotur.
A variedade e a qualidade dos ingredientes, o gosto pela boa comida, os vinhos finos, a profissionalização do setor gastronômico nas últimas duas décadas e o respeito pela culinária própria do país são argumentos apresentados pelos chefs para sustentar a sólida posição da gastronomia argentina no mundo. EFE