Concepción M. Moreno
Buenos Aires, 26 jul (EFE) – O setor de restaurantes da Argentina, um país com incrível potencial gastronômico, “subirá de nível” em qualidade com a inclusão de Buenos Aires e Mendoza como os dois primeiros destinos latino-americanos de língua espanhola na edição de 2024 do prestigiado Guia Michelin, destacou em entrevista à Agência EFE o ministro de Turismo e Esportes argentino, Matías Lammens.
“O que isso faz, sem dúvidas, é elevar o nível da gastronomia argentina. Nos obriga a fazer mais. A Argentina tem chefs e cozinheiros reconhecidos internacionalmente”, enfatizou Lammens.
Durante o evento que oficializou a inclusão da Argentina como destino da ‘bíblia’ da gastronomia mundial, que reuniu nesta terça-feira a imprensa especializada no setor, políticos e representantes do mundo empresarial, Lammens e a diretora global de Comunicação do Guia Michelin, Elisabeth Boucher-Anselin, compartilharam a enorme expectativa gerada pela escolha desses dois centros turísticos. Os primeiros restaurantes selecionados serão revelados em 24 de novembro deste ano.
“A Argentina tem um potencial gastronômico incrível. Sabemos que Buenos Aires e Mendoza são cenários culinários de nível mundial e queremos nos concentrar em ambos para atrair viajantes de todo o mundo e fazer com que fiquem mais tempo e se divirtam”, explicou Boucher-Anselin.
TRAZER DE VOLTA TALENTOS NACIONAIS.
Para o ministro argentino, a inclusão de Buenos Aires, destino onde os visitantes contam com várias atrações em cultura, gastronomia e futebol, entre outras; e de Mendoza, que está localizada aos pés da Cordilheira dos Andes e se destaca produção de vinhos, proporcionará um crescimento simultâneo e por tabela de outras regiões.
Para impulsionar esse crescimento, uma das estratégias consideradas pela pasta é trazer de volta para o país chefs renomados que consolidaram suas carreiras no exterior.
Nomes como Mauro Colagreco, três vezes ganhador de uma estrela Michelin na França; Paulo Airaudo, duas vezes na Espanha; ou Agustín Ferrando, uma vez em Hong Kong, são exemplos dos talentos que a Argentina poderia recuperar no futuro como parte de um plano que, como sugere Lammens, deveria ser “o próximo passo”.
“Acho que devemos procurar esses chefs que são estrelas no mundo e que são argentinos, e oferecer a eles a possibilidade de obter condições de crédito acessíveis e fáceis, para que possam se estabelecer na Argentina”, explicou o ministro, que acredita que essa ação criaria “um círculo virtuoso” de incentivo ao setor, gerando investimentos e empregos.
UM RESTAURANTE, UM DESTINO.
O Guia Michelin, que conta com mais de 40 destinos no mundo, e que tinha o Brasil como único país latino-americano até a inclusão da Argentina, foi criado em 1900 pela empresa de pneus francesa para incentivar viagens de carro através da recomendação de estabelecimentos gastronômicos e hoteleiros úteis.
No entanto, com o passar do tempo, a publicação foi se consolidando como uma referência mundial para os amantes do turismo gastronômico e, de acordo com Boucher-Anselin, como “restaurantes são lugares para se reunir com a família e com os amigos”, qualquer pessoa está disposta a viajar para visitar um, porque realmente consideram esse tipo de estabelecimentos como um destino, o que demonstra “uma mudança de tendência”.
Segundo Lammens, dentro dessa nova tendência turística, a Argentina assumiu “uma posição privilegiada” ao ser considerada pela publicação, já que “é, por excelência, o destino gastronômico da América do Sul”.
Além das carnes e dos vinhos, ingredientes fundamentais da culinária argentina, o ministro destacou que a extensa geografia do país, assim como os grandes fluxos migratórios que a Argentina recebeu e que fazem parte das raízes de sua população, criaram uma “mistura” que se reflete em sua gastronomia.
Nesse sentido, ele citou as delícias culinárias da Patagônia, que têm o cordeiro e a truta como protagonista; do noroeste, onde as receitas andinas ancestrais ganham espaço; e do nordeste, que elabora pratos com muitos peixes de rio. EFE