A necessidade de materializar ações para acelerar a transição para uma economia verde e os desafios da COP30 no complexo contexto geopolítico atual foram alguns dos aspectos abordados nesta quinta-feira na terceira edição do Fórum Latino-Americano de Economia Verde (FLEV), organizado pela Agência EFE, em São Paulo.
Representantes de ONGs e empresas e especialistas em tomada de decisões concordaram que este é um momento crucial para o planeta e que é imperioso passar das palavras às ações, a dois meses da realização da cúpula climática mundial, em Belém.
COP30 como um “antes” e um “depois”
Com um tom esperançoso, a diretora executiva da COP30, a brasileira Ana Toni, afirmou em um discurso exibido em vídeo que a cúpula marcará “um antes e depois” na forma de abordar o financiamento climático em nível mundial.
Nesse sentido, o ex-ministro peruano Manuel Pulgar-Vidal, líder global de clima e energia do WWF Internacional, destacou que “é importante saber navegar” uma COP e que, para isso, é preciso reconhecer suas múltiplas arenas, sendo a primeira delas – e a “mais difícil” – a mesa de negociação entre as partes. Nas outras, segundo ele, é possível alcançar com maior facilidade pontos em comum.
Apesar de classificar os objetivos do mandato desta COP30 como “modestos”, ele afirmou que o Brasil pode compensar isso colocando o foco na implementação do que já foi pactuado em conferências anteriores e na necessidade de envolver o setor privado.
Miguel Ángel Oliver, presidente da Agência EFE, que organizou o Fórum Latino-Americano, advertiu em seu discurso que é preciso “agir já” para pôr em prática os acordos e levar aos fatos o conceito de justiça climática.
Ele mostrou-se, ainda, esperançoso com o encontro climático de novembro, que vê como uma oportunidade “para que se produza a implementação real dos compromissos climáticos”.
Apesar de a cúpula mundial do clima reunir praticamente todos os países do mundo, Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, a principal rede de organizações da sociedade civil dedicadas ao cuidado do meio ambiente do Brasil, disse que, em termos políticos, é diferente “falar de clima” na América Latina e na Europa.
No caso latino-americano, a opinião pública considera que o clima é um problema. Por outro lado, ele nem sempre é priorizado na hora de destinar orçamentos públicos, já que existem questões de “sobrevivência” que captam a atenção dos governos, como “o prato de comida”, o saneamento básico ou garantir o emprego.
Desafio: Trump
Entre os desafios que foram apresentados durante toda a jornada do fórum, desde a conservação das florestas e a mudança do modelo de desenvolvimento para garantir a segurança alimentar, um tem nome e sobrenome. Trata-se do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que desde a posse adotou uma postura negacionista em relação às mudanças climáticas e desmantelou políticas ambientais, além de ter abandonado o Acordo de Paris, como já havia feito em seu primeiro mandato.
Nesse sentido, especialistas fizeram um apelo ao setor financeiro para que exerça maior pressão sobre os governos, já que alguns, como o americano, parecem atender mais às questões do mercado do que à agenda climática.
Nesse sentido, o representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil, Claudio Providas, citou “condomínios de luxo” de Miami e alegou que “um aumento de 10 ou 20 centímetros no nível do mar” fará com que muitos se tornem inabitáveis.
Providas foi um dos especialistas que participou do espaço ‘América Pergunta’, uma das novidades desta terceira edição do Fórum e no qual os palestrantes responderam a dúvidas de cidadãos comuns de toda a América Latina.
O FLEV é um espaço de debate sobre transição energética e desenvolvimento sustentável que, nesta terceira edição, conta com o patrocínio de ApexBrasil, Norte Energia e Lots Group, além do apoio de Imaflora, Observatório do Clima e IBMEC, em cujo auditório o evento é realizado. EFE