Inclusão digital de idosos, nova onda tecnológica e educação protagonizam FinnLAC

Os participantes do fórum FinnLAC 2025 concentraram nesta terça-feira a atenção no segmento de mercado que oferece as maiores oportunidades de negócio para as fintechs e para o setor financeiro na América Latina: idosos, grupo que é indispensável incorporar à nova onda tecnológica e dotar de conhecimentos digitais para que possam aproveitar todo o seu potencial.

James Scriven, diretor executivo do IDB Invest, abriu a jornada inaugural do FinnLAC 2025 — encontro sobre os desafios tecnológicos e financeiros da região, organizado pelo Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) — com uma conversa ao lado de Michael Schlein, presidente da Accion, na qual destacou como “o panorama das finanças mudou radicalmente” e a inclusão financeira evoluiu em seus 35 anos de carreira no setor.

“Quando comecei, tudo girava em torno de quem tinha acesso a um banco físico ou não. Era tudo muito bancocêntrico. Agora já não é assim”, explicou, ressaltando que cerca de 70% da região, graças aos avanços tecnológicos da última década, hoje tem acesso a serviços financeiros.

O FinnLAC 2025, que reúne durante dois dias mais de 500 participantes e cerca de 70 palestrantes no Hotel Intercontinental de Miami, decidiu concentrar parte das discussões nos 140 milhões de latino-americanos e caribenhos que permanecem desconectados do ecossistema financeiro.

“O 30 para 2030”

A inauguração do fórum coincidiu com o lançamento oficial do BID Pagos, uma nova iniciativa para acelerar a implementação de sistemas de pagamento digital rápido e de baixo custo na região, com o objetivo de oferecer serviços financeiros a esse 30% da população latino-americana sem acesso bancário até 2030.

O chefe da divisão de Conectividade, Mercados e Finanças do BID, Anderson Caputo, destacou repetidamente o lema dessa nova e ambiciosa missão: “o 30 para 2030”.

Caputo afirmou, em entrevista à EFE, que para ter sucesso nessa empreitada é preciso adotar a abordagem integral proposta pelo FinnLAC, que reúne o BID Invest (focado no setor privado), o BID (voltado à regulação) e também “toda a inovação trazida pelo BID Lab”, o braço de tecnologia, empreendedorismo e capital de risco do grupo.

Ele esclareceu que a maioria desses 140 milhões de latino-americanos sem acesso bancário é formada, em grande parte, por pessoas idosas da América Central e do Caribe.

Por isso, falou-se da chamada “silver wave” (“onda prateada”), que faz referência à crescente importância econômica da população mais velha.

César Buenadicha, diretor da Unidade de Construção e Aceleração de Ecossistemas do BID, foi direto em uma das mesas-redondas:

“Apostem no envelhecimento. Não há nenhum outro mercado que cresça mais.”

Envelhecimento na América Latina

O convite de Buenadicha se sustenta em dados sólidos: a América Latina é uma das regiões que mais rapidamente envelhece no planeta, com a maioria dos países já apresentando taxas de natalidade abaixo do nível de reposição populacional.

“São nossos avós, nossos pais — seremos nós em 10 ou 20 anos. Isso já está acontecendo”, afirmou Angelo Ciuffardi, da Caja Los Héroes do Chile, durante o mesmo painel.

Ciuffardi contou que a maioria dos afiliados da instituição são aposentados ou pessoas próximas da aposentadoria, e que os estudos mostram que, apesar da penetração quase total da internet, muitos idosos ainda não a utilizam para suas transações.

Com base nos workshops de educação digital que a Caja Los Héroes vem promovendo, ele destacou a importância da empatia e da paciência:

“É preciso sentar-se com eles para criar não apenas produtos para eles, mas também produtos com eles”, disse.

O próprio Caputo lembrou que a abordagem tecnológica para ampliar a inclusão financeira traz muitas soluções, mas também riscos, especialmente para o segmento “silver”.

“Por isso precisamos de mecanismos de educação financeira. E isso vai além — envolve também linguagem e comunicação”, concluiu. EFE