Os aluguéis de curto prazo se tornaram uma nova ferramenta de crescimento econômico e estabilidade patrimonial para famílias latinas nos Estados Unidos, onde mais de 70% consideram esse modelo uma boa forma de gerar uma renda extra, segundo a pesquisa mais recente do Hispanic Wealth Project (HWP).
De acordo com o relatório, elaborado em colaboração com a plataforma de hospedagem online Airbnb, quase 15% da população latina no país já utiliza esse tipo de aluguel como estratégia de investimento.
O fenômeno ocorre em um contexto de expansão em que o PIB latino alcançou US$ 4,1 trilhões em 2023, segundo o U.S. Latino GDP Report 2025 — o que colocaria essa comunidade como a quinta maior economia do mundo se fosse medida de forma independente.
Para Jordi Torres Mallol, diretor regional da Airbnb para América do Norte e América Latina, o relatório do HWP e da Airbnb “mostra que os latinos são um motor fundamental para o crescimento econômico do país, e que esse crescimento é impulsionado por um forte apoio aos investimentos imobiliários”.
De renda extra a patrimônio
O Relatório sobre o Estado da Riqueza Hispânica 2025 revela que a riqueza líquida mediana dos lares latinos triplicou entre 2013 e 2022, passando de US$ 19.998 para US$ 63.400.
“Os latinos não apenas usaram a hospedagem como uma forma de obter renda para chegar ao fim do mês; nossa pesquisa revela que as famílias latinas veem cada vez mais a hospedagem como uma plataforma de empoderamento financeiro de longo prazo”, explicou Torres Mallol.
Segundo o estudo, quase 60% dos entrevistados destinam a renda da hospedagem a gastos pessoais ou comerciais, mais da metade a futuras aplicações e cerca de 40% a outros objetivos financeiros, como educação ou aposentadoria. Além disso, mais de 90% dos anfitriões permanecem ativos, e metade deles oferece hospedagem há três anos ou mais.
Programas de capacitação e expansão
Por sua vez, a plataforma de hospedagem online desenvolveu iniciativas para fortalecer as habilidades dos anfitriões latinos e facilitar sua inserção no setor.
“Diretamente por meio da Airbnb Entrepreneurship Academy, desenvolvemos um programa educativo interativo que apresenta às pessoas como se tornarem anfitriãs em nossa plataforma, em parceria com organizações locais de confiança, incluindo grupos como LULAC, Chicanos Por La Causa e Servicios de La Raza”, explicou Torres.
Além disso, neste outono, a empresa lançará a Airbnb Academy 2.0: Confident Hosting, voltada para empoderar anfitriões latinos na otimização de anúncios, melhoria da experiência dos hóspedes e conexão entre pares.
O HWP informou ainda que 52% dos corretores de imóveis latinos observaram um aumento no interesse por propriedades destinadas à hospedagem, e que 9,5% dos lares hispânicos já possuem uma segunda residência.
Copa do Mundo de 2026, oportunidade para os anfitriões
Com vistas à Copa do Mundo de Futebol, a pesquisa revelou que mais de 60% dos entrevistados na Flórida e mais de 45% na Califórnia planejam ser anfitriões — o que atrairá cerca de 350 mil hóspedes e, segundo o relatório da Deloitte “O papel do Airbnb na Copa do Mundo da FIFA 2026”, deverá gerar ganhos superiores a US$ 212 milhões nas 16 cidades-sede.
“Estamos apenas começando. A comunidade de anfitriões latinos ainda tem muito espaço para crescer consideravelmente”, destacou Torres Mallol, acrescentando que o torneio “será uma oportunidade para que os latinos criem um impulso de geração de riqueza que continuará muito depois do fim do evento”.
Assim, o executivo destacou que esses esforços estão alinhados com o objetivo do HWP de reduzir pela metade a diferença de riqueza entre lares latinos e brancos não hispânicos até 2034, o que “não será resolvido com um único esforço ou uma única empresa; mas iniciativas como as que a Airbnb está comprometida são essenciais para empoderar os latinos a construir e manter riqueza para as próximas gerações”, concluiu. EFE