Luque (EFE).- O setor corporativo foi o grande protagonista nesta quinta-feira no segundo dia das reuniões anuais do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Paraguai, com o anúncio da conclusão do processo de capitalização de US$ 3,5 bilhões do BID Invest, braço voltado ao segmento privado, e a realização da primeira das duas sessões do fórum empresarial que estavam programadas.
Com a culminação do processo de captação de capital do BID Invest, o Grupo prevê agora uma capacidade de financiamento de US$ 500 bilhões para a próxima década, o dobro do registrado nos últimos dez anos, segundo relatou em entrevista coletiva o presidente da instituição multilateral, Ilan Goldfajn.
Goldfajn explicou que o BID Invest, em concreto, prevê aumentar sua capacidade de financiamento e mobilização de aproximadamente US$ 13 bilhões para US$ 22 bilhões durante a próxima década.
O plano de capitalização do BID Invest é um dos três pilares do BIDImpact+, o marco aprovado nas reuniões anuais de 2024 ao qual se somam também uma nova estratégia institucional que aumente impactos e o plano de reposição do BIDLab, o braço de inovação do grupo.
Goldfajn afirmou que durante as sessões anuais da Assembleia de Governadores do Grupo, que serão realizadas nesta sexta-feira e no sábado, serão tratadas três prioridades: a importância de criar uma cadeia de valor completa para o setor de minerais críticos, a necessidade de promover uma maior integração regional e um plano de desenvolvimento liderado pelo setor privado, que segundo ele é o que pode “somar escala, inovação ou emprego” aproveitando as “condições habilitantes” oferecidas pelas instâncias públicas.
Para dar esse impulso, nestas reuniões anuais o Grupo quer avançar no LAC Crece, iniciativa que busca superar as restrições ao crescimento, desde as barreiras logísticas ou regulatórias às fragilidades institucionais, na América Latina e no Caribe.
Também hoje foi realizada a primeira das duas sessões do fórum empresarial programadas, aproveitando que, dos mais de 4 mil participantes procedentes de 48 países que compareceram às reuniões anuais do Grupo BID, cerca de 1.580 correspondem ao ambiente privado, incluindo mais de 300 diretores-executivos e mais de 750 executivos de alto nível.
“Pela primeira vez, as reuniões anuais do Grupo BID são metade do setor público e metade do setor privado e estamos felizes em fazê-lo no Paraguai, que esteve na vanguarda do desenvolvimento liderado pelo setor privado”, declarou Goldfajn na abertura dos debates com empresários.
O ministro de Economia e Finanças do Paraguai, Carlos Fernández Valdovinos, falou na abertura do fórum que a assembleia de governadores do Grupo BID deve servir para oferecer “mais oportunidades às empresas para que façam mais negócios, não só no Paraguai, mas também em toda a região”.
A primeira sessão do fórum empresarial abordou hoje três das quatro prioridades que o Grupo BID estabeleceu para nortear sua relação com o setor privado: oportunidades em setores estratégicos essenciais, inteligência artificial e transformação digital e investimento em infraestrutura estratégica.
Na sexta-feira, será abordado um quarto pilar, básico para articular os outros três: a mobilização de capital em escala aproveitando as novas e potentes capacidades operacionais que o grupo vislumbra para a próxima década. EFE