América Latina discutirá no Equador desafios de produção e comercialização de bananas

O Equador, maior exportador mundial de bananas, reunirá representantes do setor de vários países da América Latina na 21ª edição da ‘Banana Time’, onde serão abordados desafios como os baixos preços na Europa, segurança logística, ameaças fitossanitárias e a situação e regulamentação dos principais mercados de destino.

A ‘Banana Time Guayaquil’, uma das maiores convenções internacionais do setor de banana, será realizada de 23 a 25 de outubro na cidade que abriga o maior porto do Equador, e de onde parte a maior parte dos carregamentos de banana equatoriana para o exterior, atividade comercial que, em 2023, gerou cerca de US$ 3,5 bilhões.

Entre os participantes estarão integrantes dos setores agrícola e financeiro da Colômbia e da Costa Rica, reunidos sob a liderança da Associação de Exportadores de Banana do Equador (AEBE), que congrega mais de 70% das empresas exportadoras do país.

Os exportadores latino-americanos compartilham preocupações e inquietudes semelhantes sobre o setor, que serão abordadas ao longo dos três dias de evento. 

Entre os temas mais destacados estão pautas como segurança, inovação e sustentabilidade, especialmente no que diz respeito aos esforços para garantir que a União Europeia (UE) respeite o valor do produto.

Recentemente, associações de produtores e exportadores de banana de Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Peru e República Dominicana expressaram seu repúdio ao preço de 0,89 euros (R$ 5,50) por quilo oferecido pela grande rede de supermercados alemã Lidl para bananas de origem latino-americana, 47% do preço acordado com outras redes.

Para esses sindicatos, essa é uma estratégia prejudicial para o setor, criada para atrair a atenção dos consumidores para outros produtos, o que desvaloriza e anula os esforços dos países de origem para oferecer um produto de alta qualidade e sustentável.

Cooperação e ação

O primeiro dia do ‘XXI Banana Time’ se centrará nos avanços da biotecnologia e nas práticas agrícolas avançadas para combater doenças da banana, como Fusarium 4 e Moko, enquanto o segundo dia terá como principal foco ameaças fitopatológicas, edição de genes e estratégias comerciais para lidar com um mercado global competitivo.

O último dia terá como protagonistas as discussões sobre novas regulamentações, as tendências de consumo nos principais mercados, como UE, Rússia, Estados Unidos e China, a segurança da cadeia de suprimentos e as perspectivas para o Equador em 2030.

Além disso, haverá um concurso de culinária com pratos à base de banana para promover o uso do produto no mundo da gastronomia.

“A cooperação e a ação são essenciais para o futuro imediato do Equador e de seu setor de bananas. Os desafios atuais são complexos e estruturais, mas cada desafio ou problema também traz consigo novas oportunidades”, disse o presidente da AEBE, Jorge Encalada.

“Apesar das dificuldades, o setor de banana equatoriano tem a capacidade de se fortalecer com uma estratégia que inclui segurança, inovação e sustentabilidade, pilares cruciais que discutiremos no ‘Banana Time Guayaquil’”, acrescentou Encalada.

Presença marcante em eventos internacionais

A AEBE celebrará o ‘Banana Time Guayaquil’ depois de ter participado recentemente em Madri da feira ‘Fruit Attraction’, onde o Equador ganhou o prêmio de melhor estande, e do Fórum Mundial da Banana.

No evento, o Cluster de Bananas e Plátanos do Equador, do qual a AEBE é membro, apresentou o potencial comercial do país e seu compromisso com a sustentabilidade, o bem-estar dos trabalhadores e o fortalecimento das relações comerciais com seus parceiros europeus.

O diretor executivo da AEBE e coordenador do cluster, José Antonio Hidalgo, reiterou a necessidade de que os preços na UE reflitam os esforços em sustentabilidade, responsabilidade social e conformidade com as regulamentações europeias, além de implementar uma responsabilidade compartilhada por certificações e auditorias que geram pressão sobre os produtores.

Ele também mencionou o progresso no fortalecimento dos padrões de sustentabilidade e responsabilidade social, com mais de 99% dos trabalhadores recebendo um salário digno, e destacou os investimentos feitos para melhorar a segurança nas fazendas e na cadeia logística.

A indústria da banana é uma das forças motrizes da economia equatoriana, contribuindo com mais de US$ 3 bilhões por ano para o produto interno bruto (PIB) e gerando 250.000 empregos diretos. 

Em 2023, as exportações desse produto foram destinadas principalmente à União Europeia (28,42%), Rússia (21,12%), Oriente Médio (16,65%) e Estados Unidos (9,08%). EFE