América Latina é chave para futuro sustentável da transição energética

Lima (EFE) – A América Latina é uma região chave para a criação de um futuro sustentável que avance de forma conjunta com a transição energética, segundo especialistas que se reuniram nesta terça-feira em Lima.

“É impossível falar de um futuro sustentável sem um continente como a América Latina, que tem a maior biodiversidade do mundo e uma enorme riqueza de energia renovável”, destacou em entrevista à Agência EFE a diretora geral de negócio da multinacional espanhola Redeia, Beatriz Corredor.

A executiva participou, nesta terça-feira, da ‘Conferência sobre sustentabilidade e energia. O futuro sustentável passa pela Iberoamérica”, realizado na Escola de Administração de Negócios para Graduados (ESAN) e organizado pela Redinter, subsidiária da Redeia no Peru.

Antes de inaugurar o evento, Corredor enfatizou que “parece impossível falar sobre um futuro sustentável e duradouro” sem incorporar a América Latina nessa transição.

Ela ressaltou que a região “tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo”, com destaque para a geração através de hidrelétricas,  e que, nos últimos 10 anos, houve um “enorme progresso” em relação a fontes de energias renováveis mais avançadas, como a solar e a eólica.

“É evidente que é um continente com circunstâncias geográficas, climáticas e de biodiversidade, e que também conta com uma riqueza de comunidades indígenas, o que nos permite aprender muito sobre como gerenciar essas energias renováveis, para que sejam boas para o desenvolvimento econômico, para o desenvolvimento industrial e tecnológico da região, e para o desenvolvimento social de todas as comunidades que vivem aqui”, acrescentou ela.

Com relação ao futuro, Corredor disse que “o mix energético da América Latina permite claramente um desenvolvimento muito rápido das energias renováveis”, mas recordou que é preciso fortalecer a rede elétrica internacional, porque a América Latina é uma região “que não está muito interconectada”.

Ela também chamou atenção para a necessidade de melhorar a qualidade e a segurança no fornecimento, para garantir “que as energias renováveis sejam integradas com segurança ao sistema” e “que a rede de transmissão esteja em boas condições”.

Transição, uma oportunidade de crescimento

O CEO da Redeia, Roberto García, por sua vez, afirmou que “a transição energética é uma oportunidade única para continuar impulsionando o crescimento na região”.

Para García, ela também pode “ajudar a diminuir as lacunas socioeconômicas” e, acima de tudo, “é a maneira de gerenciar os recursos energéticos de forma mais eficiente e sustentável” na América Latina.

A América Latina é “uma referência em termos de geração hidrelétrica, mas também pode ser uma referência em termos de energia fotovoltaica e eólica”, insistiu ele.

No entanto, o executivo lembrou que é fundamental investir em infraestrutura, motivo pelo qual “as redes são sempre necessárias”.

 

“Sem transmissão, não há transição”, defendeu.

 

Por último, o reitor da ESAN, Jaime Serida, disse que o setor acadêmico pode contribuir para um futuro sustentável “por meio da pesquisa aplicada”, do trabalho conjunto com empresas e com o Estado e  através da formação e treinamento de alunos. EFE