O Nordeste do Brasil, reconhecido por suas praias paradisíacas de águas quentes e por sua rica cultura, vive uma onda de recordes no número de turistas estrangeiros impulsionada pela recente melhora da conectividade aérea.
A região, onde estão cidades como Salvador, Fortaleza e Recife, “cresce de forma consistente, atrai mercados estratégicos e ajuda a projetar o Brasil no mundo”, explicou o presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), Bruno Reis.
“O Nordeste está mais conectado, mais competitivo e cada vez mais presente no imaginário dos viajantes estrangeiros”, afirmou Reis à EFE.
Recorde após recorde
Composto por nove estados, o Nordeste do Brasil bateu seu recorde de turistas no ano passado, com 490.778 visitantes internacionais e um crescimento de 91,24% entre 2023 e 2025, tendo a Argentina como principal país emissor, com 170.399 turistas.
Os países da América do Sul foram responsáveis por 216.333 dos estrangeiros que chegaram em 2025, formando o segundo maior grupo emissor, com um aumento de 71,25% em relação a 2024, impulsionado principalmente por argentinos, uruguaios e chilenos.
Em 2026, o Nordeste mantém a tendência de alta e registrou um novo recorde no primeiro trimestre, com 219.063 estrangeiros, o que representa um salto de 66,27% em comparação com o mesmo período do ano passado, índice que triplica a média nacional.
“Esse crescimento não acontece por acaso: é resultado de uma estratégia que combina promoção internacional, ampliação da conectividade aérea e valorização da diversidade de experiências brasileiras”, comentou Freixo.
Um paraíso menos distante e mais conectado
O Nordeste é considerado o berço do Brasil, já que foi por onde começou a colonização europeia no século XVI. A região encanta os estrangeiros com suas paisagens deslumbrantes e experiências que combinam história, religiosidade, gastronomia e cultura, incluindo festas populares como o São João e o Carnaval.
São mais de 3.300 quilômetros de litoral e múltiplos destinos icônicos, como a ilha de Fernando de Noronha e os Lençóis Maranhenses, ambos reconhecidos pela Unesco como Patrimônios Naturais da Humanidade.
No entanto, para chegar ao paraíso escolhido, a maioria dos turistas precisava estar disposta a enfrentar longas viagens com múltiplas conexões.
Por isso, passar de 18 rotas aéreas internacionais em 2023 para 42 em 2026 foi fundamental para atrair mais visitantes. O número de voos aumentou 121,81% nesse período, alcançando 5.390 operações, segundo a Embratur.
Novas portas de entrada
Somente no primeiro trimestre de 2026, foram inauguradas novas rotas entre Panamá e Salvador, Madri e Fortaleza, e Montevidéu e Natal.
Em maio, foi retomado um voo entre Praia (Cabo Verde) e Recife e, para outubro, está prevista a inauguração da rota Lisboa–São Luís.
A presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur), Marina Marinho, explicou à EFE que esses números demonstram que as companhias aéreas “estão percebendo que existe demanda” no mercado turístico e que a região tem capacidade para sustentar o aumento da conectividade nos próximos anos.
Atualmente, sete das nove capitais nordestinas contam com conexões diretas para cidades como Lisboa, Madri, Buenos Aires, Paris, Montevidéu, Santiago do Chile e Miami.
As cidades de Salvador, Fortaleza e Recife, principais portas de entrada da região, também vêm se consolidando entre os cinco principais acessos aéreos do país.
Para os sul-americanos, entre janeiro e abril de 2026, Salvador apareceu na quarta posição do ranking nacional, seguida por Recife e Natal.
Do esquecimento à integração
Por outro lado, Marinho ressaltou que a proximidade geográfica entre as capitais nordestinas “contribuiu muito para fortalecer e desenvolver esse turismo em nível regional”, ao possibilitar que, em uma única viagem, os visitantes conheçam vários estados.
A também secretária de Turismo do Rio Grande do Norte destacou que, por esse motivo, as autoridades locais apostam cada vez mais na integração regional para impulsionar o desenvolvimento socioeconômico da região por meio do turismo.
“É uma região que durante muito tempo esteve esquecida, mas que começou a trabalhar suas potencialidades e riquezas de forma integrada, respeitando as particularidades de cada estado”, concluiu. EFE