BID completa capitalização de seu braço do setor privado e prevê duplicar operações

O Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou nesta quinta-feira a conclusão bem-sucedida do processo de capitalização de US$ 3,5 bilhões do BID Invest, seu braço voltado ao setor privado, e prevê agora uma capacidade de financiamento de US$ 500 bilhões na próxima década, o dobro do registrado nos últimos 10 anos.

“Com esta capitalização, estamos estimando que, durante a próxima década, o Grupo BID vai ativar US$ 500 bilhões em financiamento na América Latina nos próximos 10 anos. Esse é o dobro do que fizemos nos últimos 10 anos”, anunciou em entrevista coletiva o presidente do Grupo, Ilan Goldfajn, no segundo dia das reuniões anuais da instituição, realizadas no Paraguai.

Goldfajn explicou que o BID Invest, em concreto, prevê aumentar sua capacidade de financiamento e mobilização de aproximadamente US$ 13 bilhões para US$ 22 bilhões durante a próxima década.

O ex-presidente do Banco Central brasileiro declarou que os efeitos positivos que a entidade vislumbra até 2035 passam por fortalecer o crescimento, criar empregos, reduzir a pobreza, ampliar mercados, fortalecer as cadeias de suprimentos, mobilizar recursos privados ou impulsionar a integração regional.

O plano de capitalização do BID Invest é um dos três pilares do BIDImpact+, o marco aprovado nas reuniões anuais de 2024 ao qual se somam também uma nova estratégia institucional que aumente impactos e o plano de reposição do BIDLab, o braço de inovação do grupo.

“Acho que estamos começando o BIDImpact+, porque agora é o momento da implementação. É o momento em que a estratégia está desenhada, e temos que passar da visão para a implementação”, disse Goldfajn.

“Para levar para termos esportivos, acho que sentimos que estávamos treinando para a maratona, mas a maratona está começando agora. Estamos provavelmente nos primeiros 5 ou 10 quilômetros”, explicou na mesma entrevista coletiva o gerente do BID Invest, James Scriven.

Por sua vez, Goldfajn pontuou que durante as sessões plenárias do Grupo, que serão realizadas nesta sexta-feira e no sábado, serão tratadas três prioridades, começando por um plano de desenvolvimento liderado pelo setor privado.

Goldfajn insistiu que o Grupo pode gerar “sinergias a serviço de todos” apenas se o setor privado tiver um papel destacado, principalmente porque na América Latina e no Caribe “o setor público não tem os recursos suficientes para fechar as lacunas que nos propomos fechar”.

O presidente do Grupo BID insistiu em várias ocasiões que as instituições públicas oferecem as “condições habilitantes” e que o empresariado pode “somar escala, inovação ou emprego”.

Para dar esse impulso, nestas reuniões anuais o Grupo quer avançar no LAC Crece, iniciativa que pretende superar as restrições ao crescimento na América Latina e no Caribe, desde barreiras logísticas ou regulatórias a debilidades institucionais.

Outro tema que será prioridade nas plenárias será o da necessidade de criar cadeias de valor completas para o setor de minerais críticos, que deverá um crescimento enorme na região nos próximos anos.

Para conseguir que a América Latina passe de apenas extrair para processar, manufaturar e refinar para gerar emprego e crescimento sustentável, o Grupo BID vai impulsionar também nestas reuniões anuais sua iniciativa LAC Minerals.

Goldfajn ressaltou que o terceiro grande tema nas plenárias será o impulso da integração regional — “vamos ajudar na integração quem estiver pronto para avançar”, disse — com o objetivo de alcançar uma maior coesão comercial, produtiva, de infraestrutura ou regulatória para que a região ganhe escala, reduza custos e atraia mais investimento. EFE