BID Invest organiza Semana de Sustentabilidade para facilitar projetos de grande escala

O objetivo da Semana da Sustentabilidade organizada pelo BID Invest, braço privado do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que começa nesta terça-feira em Manaus, é promover o investimento em desenvolvimento de grande escala com impacto em América Latina e Caribe.

“Abordaremos uma ampla gama de temas em cinco pilares: investimento de impacto, inclusão, bioeconomia, Amazônia e mudanças climáticas”, disse à Agência EFE Gabriel Azevedo, diretor geral de estratégia do BID Invest.

El director general de Estrategia de BID Invest, Gabriel Azevedo, habla durante una entrevista con EFE, el 5 de junio de 2024 en la sede del Banco Interamericano de Desarrollo, en Washington (Estados Unidos). EFE/ Lenin Nolly

Ao longo de três dias, serão realizadas cerca de 50 apresentações, que deverão contar com a presença de mais de 800 participantes registrados fisicamente (e cerca de 9 mil participantes virtuais), muitos deles executivos de empresas de setores como bancos, tecnologia e alimentos.

A agrotecnologia, os novos instrumentos de financiamento verde, o uso da inteligência artificial no desenvolvimento e os desafios decorrentes das mudanças climáticas são alguns dos temas que serão discutidos neste fórum que, acima de tudo, busca gerar projetos específicos.

“O objetivo desta plataforma e o que a diferencia de outros fóruns é que queremos fazer as coisas acontecerem, que haja resultados. Em outras palavras, é um fórum para ‘fazedores’ e não para pensadores”, enfatizou Azevedo.

Além disso, o objetivo é que os projetos que possam nascer na Semana da Sustentabilidade não sejam “projetos de butique”, mas que sirvam para “transformar”, que tenham impacto e sejam “em grande escala”.

“Não é com um projeto pequeno que vamos fazer a diferença.

Então, acredito que impacto e escala são os dois principais fatores que estamos buscando no BID Invest”, disse Azevedo, além de lembrar que executivos de multinacionais como Amazon, Santander, Citibank e Coca-Cola participarão das apresentações.

ORIGINAR PARA COMPARTILHAR

Esse fórum acontece depois que na última reunião anual do Grupo BID, realizada em outubro do ano passado em Punta Cana, na República Dominicana, o BID Invest anunciou uma proposta de aumento de capital de US$ 3,5 bilhões, o dobro do valor anterior.

A operação foi aprovada em março pelos governos dos 48 países que detêm o banco, os membros do BID, 26 dos quais estão na região de América Latina e Caribe.

Azevedo afirmou que o aumento de capital está ligado a “um novo modelo de negócios” que busca “multiplicar” e “escalar” o impacto do BID Invest no desenvolvimento, tudo isso ligado a um conceito: “originar para compartilhar”.

“A ideia é que vamos mudar do modelo tradicional de banco de desenvolvimento, no qual um projeto é desenvolvido e permanece no balanço patrimonial por anos como o principal investidor, para um modelo no qual o BID Invest é um catalisador para atrair e facilitar o investimento de outros investidores de impacto”, afirmou.

Segundo ele, no centro de tudo isso está “a confiança” que o banco de desenvolvimento pode gerar nos investidores e o fato de que, graças ao aumento de seu capital, o banco poderá “assumir um risco maior” nos projetos em que investe.

A AMAZÔNIA COMO CENTRO DE “COCRIAÇÃO”

El director general de Estrategia de BID Invest, Gabriel Azevedo, habla durante una entrevista con EFE, el 5 de junio de 2024 en la sede del Banco Interamericano de Desarrollo, en Washington (Estados Unidos). EFE/ Lenin Nolly

O tema desta edição da Semana da Sustentabilidade é “Cocriação de Impacto” e o fato de ela ser realizada no coração da Amazônia é fundamental para a compreensão do conceito.

“Na Amazônia, especificamente, há um histórico de iniciativas que fracassaram porque foram iniciativas criadas e pensadas fora e trazidas como uma solução mágica, como um sapato que serve para qualquer tamanho de pé”, comparou Azevedo.

Projetos de desenvolvimento que não deram certo e que serviram para aprender uma lição: “Em ambientes com características tão particulares como a Amazônia, é importante cocriar, levar em conta o conhecimento, os traços culturais, as aspirações das comunidades locais e criar com elas soluções que sejam efetivamente aplicadas à região”, declarou.

A Amazônia abrange nove países da América Latina e do Caribe e abriga cerca de 50 milhões de pessoas, incluindo centenas de grupos indígenas, que precisam de um modo de vida que coexista com o ecossistema de uma região que fornece 40% da água doce da América Latina e ajuda a mitigar a mudança climática ao absorver um quarto de todo o CO2 absorvido pelo planeta.

Uma população com os “indicadores de desenvolvimento humano mais baixos” de seus países e que precisa de “trabalho, educação, saúde e desenvolvimento econômico” para poder deixar para trás um modo de vida que tanto prejudicou a região no passado, o desmatamento. EFE