Doha, 17 jan (EFE).- Em poucos anos, o Qatar deixou de ter uma economia baseada na pesca de pérolas para se tornar um dos países mais ricos do mundo, impulsionado por petróleo e gás natural. Diversificar sua economia é um de seus grandes desafios, e o investimento em educação se tornou um pilar básico para se reinventar.
“A educação é quem lidera. A busca de uma economia baseada no conhecimento. E não podemos consegui-la sem focar na educação”, disse à Agência EFE Hend Zeinal, diretora executiva de Estratégia e Gestão do Ensino Superior da Qatar Foundation.
Formada por mais de 50 entidades dos setores de educação, ciência, pesquisa e desenvolvimento, a Qatar Foundation é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1995 pelo então xeque Hamad bin Khalifa e sua segunda esposa, Moza bint Nasser.
Atualmente é um dos centros educacionais mais importantes do mundo, composto por oito universidades, 13 escolas, centros esportivos, biblioteca nacional, Museu de Arte Moderna, centro hípico e um campus que acomoda 10,6 mil alunos em um espaço de 12 quilômetros quadrados conhecido como Cidade da Educação.
“Temos alunos de apenas 6 meses e também com 60 ou 70 anos. Aceitamos todos neste ecossistema. Nosso objetivo é contribuir para o futuro do Qatar e da região por meio da educação e do desenvolvimento do potencial humano”, destacou Zeinal.
ECOSSISTEMA GLOBAL
O Qatar é um pequeno país conservador e cheio de contrastes que utilizou a Copa do Mundo como um de seus grandes trunfos para se abrir para o mundo e demonstrar sua evolução social, cultural e econômica. E a grande motriz por trás dessa mudança tem sido a Fundação.
“A Qatar Foundation tem sido um catalisador de mudanças no país. O foco do país e o investimento em educação podem ser vistos na Cidade da Educação. Temos a sorte de ter líderes que realmente acreditam em sua importância. E eles têm investido muito para trazer para cá universidades de nível internacional e escolas especializadas diferenciadas”, disse a diretora de estratégia da Fundação.
O modelo, para ela, é “um banco de testes para muitas ideias e inovação” que permite “contribuir através do capital humano” do ponto de vista local e global.
Em suas instalações há uma representação de estudantes de mais de 90 nacionalidades e seus centros incluem campus de algumas das melhores universidades do mundo, como Northwestern, Georgetown, Paris, Texas A&M de engenharia e Weill Cornell de medicina.
Cada um deles conta com edifícios projetados por arquitetos premiados de renome internacional, como Arata Isozaki, Rem Koolhaas, Antoine Predock e os estúdios de arquitetura Legorreta + Legorreta e Mangera Yvars Architects. Algo que torna este lugar uma atração turística.
“Funciona como um ecossistema sustentável onde os alunos podem caminhar pelo campus para aprender o que quiserem. Isso não existe em nenhum outro lugar do mundo”, disse Zeinal.
Na Qatar Foundation, os alunos, independentemente da carreira, podem cursar disciplinas de outras universidades e carreiras de seu interesse para concluir sua formação.
“Agora os estudantes podem escolher onde querem, o que querem e de onde querem aprender. E assim oferecemos aos alunos a oportunidade de gerenciar sua educação. Não acreditamos que uma pessoa seja apenas um médico, um artista ou apenas um engenheiro”, afirmou.
A colaboração entre instituições permite uma aprendizagem multidisciplinar, bem como ter planos específicos para alunos com necessidades especiais, tais como alunos autistas ou deficientes visuais.
“A nossa responsabilidade com o país é garantir que estejamos alinhados no mesmo objetivo e que possamos preparar os alunos de hoje para serem os líderes de amanhã”, concluiu. EFE
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