Gestão de exposição digital é desafio prioritário de cibersegurança, diz estudo

A gestão da exposição digital, que consiste nos processos utilizados pelas empresas para identificar e lidar com todos os riscos relacionados aos seus ativos, tornou-se uma prática prioritária diante da complexidade do atual cenário do setor de cibersegurança.

Segundo o Relatório de Investigações sobre Violações de Dados de 2025, elaborado pela empresa de telecomunicações Verizon, os ataques que exploram vulnerabilidades para obter acesso inicial e causar brechas de segurança aumentaram 34% em comparação com o relatório do ano anterior.

Esse panorama se justifica pela fragmentação atual da segurança cibernética corporativa. Atualmente, grandes organizações utilizam, em média, 83 ferramentas desconectadas, de acordo com um relatório da multinacional de tecnologia da informação IBM.

Essa realidade não apenas resulta em operações isoladas e pontos cegos críticos, como também evidencia a necessidade de unificar, de forma estratégica, aspectos como visibilidade, informação e ações de segurança em toda a superfície de ataque.

Busca por soluções

“Para as organizações na América Latina, a cibersegurança deixou de ser apenas um tema técnico: tornou-se uma prioridade estratégica”, afirmou à EFE Francisco Ramírez de Arellano, vice-presidente sênior da Tenable para a América Latina.

Na visão do executivo, compreender e gerenciar a exposição tornou-se indispensável para a sobrevivência e o crescimento dos negócios, em um ambiente onde a transformação digital avança rapidamente e as ameaças cibernéticas se tornam cada vez mais sofisticadas.

Nesse contexto, a Tenable — empresa norte-americana especializada em gestão de exposição — anunciou novas melhorias para o Tenable One, sua plataforma focada nessa prática. Além da inclusão de painéis de controle personalizáveis, a empresa anunciou a introdução de conectores próprios.

Esses recursos visam combinar dados de ferramentas de segurança de terceiros com os dados de sensores nativos da empresa, a fim de obter uma visão unificada e abrangente dos riscos em toda a superfície de ataque.

Segundo o relatório da Verizon, terceiros não apenas atuam como guardiões dos dados dos clientes, mas também sustentam partes críticas das operações das organizações.

Com o lançamento desses novos conectores, previsto para o segundo trimestre de 2025, a Tenable busca unificar os dados de segurança em toda a empresa e oferecer “uma visão integrada e prática do risco organizacional”.

Essas inovações representam um marco importante para a Tenable, após a aquisição da startup israelense de cibersegurança Vulcan Cyber. A transação foi concluída em fevereiro deste ano, por cerca de 150 milhões de dólares.

Uma questão de governança

Para Jaime Chanagá, Field Chief Information Security Officer (CISO) da Fortinet para a América Latina e o Caribe, os conselhos administrativos e os executivos devem adotar uma visão abrangente dos riscos.

“Isso implica integrar a segurança e a continuidade dos negócios aos processos de formulação de estratégias e tomada de decisões, além de garantir uma resposta rápida e coordenada a incidentes”, acrescentou.

O especialista também destacou que CEOs, CIOs e CISOs devem possibilitar a criação de valor sustentável e a melhoria do desempenho organizacional.

Nesse sentido, Ramírez de Arellano ressaltou que iniciativas como a introdução dos conectores do Tenable One e os painéis de controle unificados representam “um divisor de águas na gestão da exposição para as organizações na América Latina”.

“Ao unificar a visibilidade dos riscos, priorizar as ameaças mais críticas e transformar essas informações em ações concretas, as empresas da região podem fortalecer sua resiliência cibernética de forma eficaz”, concluiu. EFE.