Jovens brasileiros exigem aos políticos que fomentem a inclusão na educação

Os jovens brasileiros aproveitaram nesta quarta-feira um debate com autoridades no âmbito do encontro ‘Governos do futuro: Expectativas da Juventude’, em Brasília, para exigir medidas que garantam o acesso dos mais desfavorecidos à educação.

Os participantes do fórum, organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com o apoio da EFE, defenderam um maior apoio econômico e a criação de políticas de inserção profissional, bem como mecanismos de participação direta para combater a evasão escolar e a falta de interesse na política.

Durante o encontro, jovens universitários e representantes do mundo político advertiram que o acesso ao ensino superior não garante a continuidade dos estudos, especialmente entre estudantes de periferias e famílias vulneráveis, devido a problemas de alimentação, transporte, moradia e falta de perspectivas de trabalho.

A jovem Laís disse que nas instituições de ensino superior “se vê um número muito menor de jovens da periferia”, já que em muitos casos eles são forçados a deixar os estudos para trabalhar, porque carecem de apoio econômico.

“O jovem não quer favores do governo, quer oportunidades”, disse Gracinha Caiado (UNIÃO-GO), candidata ao Senado nas eleições de outubro e esposa do candidato presidencial Ronaldo Caiado (PSD-GO).

Kênia Mourão, vice-presidente do Movimento Além do Acolhimento, pontuou que, no caso de jovens em situação de extrema vulnerabilidade, por desconhecimento, eles não têm acesso às políticas existentes de apoio aos estudantes e inclusive “não sabem nem que podem votar”.

O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) admitiu que, em muitos casos, os poderes públicos têm restrições orçamentárias que impossibilitam o desenvolvimento de políticas públicas, o que “impacta na desigualdade” e tem como consequência um aumento da desconfiança nas instituições.

“Sinto uma desconfiança generalizada dos jovens nas instituições. Há arranjos políticos que dificultam muito a mudança”, lamentou.

O debate terminou com apelos para ampliar os canais de participação dos jovens e integrar políticas públicas que combinem educação, assistência social e acesso ao mercado de trabalho, diante da percepção compartilhada de que a democracia depende cada vez mais de oferecer resultados concretos a eles. EFE