Jovens defendem a cultura e a fronteira digital como motores de integração regional

Os jovens participantes do encontro “Governos do Futuro: Expectativas da Juventude” defenderam nesta terça-feira as expressões culturais e a implementação de fronteiras digitais como “motores fundamentais” para a integração da América Latina e do Caribe.

O debate, realizado na Biblioteca Nacional, em Brasília, fez parte de um dos seis encontros fechados entre grupos de jovens com o objetivo de alcançar pontos em comum sobre os desafios e as necessidades do sistema político atual.

A união regional como uma prioridade estratégica no atual contexto de conflitos geopolíticos foi um dos pontos centrais do encontro, que contou com a participação de jovens brasileiros.

Um dos presentes ressaltou que a articulação regional é extremamente importante para “construir uma barreira” que proteja o destino da história comum da região contra ataques externos.

Embora tenham admitido que não é um caminho fácil, devido em grande parte às disputas ideológicas existentes entre os países, o debate propôs que esta é uma tarefa fundamental que deve ser realizada de maneira urgente.

Neste contexto, uma das estudantes presentes alertou sobre o crucial momento geopolítico global, assinalando que diversas regiões iniciaram processos para se tornarem autossuficientes internamente por causa da guerra no Oriente Médio.

Ela expôs que, diferentemente do passado, quando a integração latino-americana era associada a uma fronteira física, “hoje em dia, com as fronteiras digitais, podemos pensar em uma América Latina mais ‘uma’; cultural e politicamente”.

O grupo definiu a cultura como um “pivô da integração”. Segundo os jovens, as novas gerações impulsionam essa aproximação regional por meio de seus comportamentos nas redes sociais e de seus consumos culturais, utilizando ferramentas cotidianas como memes, música e influenciadores.

No entanto, outro estudante presente advertiu que o aspecto do idioma e da cultura é um tema que tem sido muito negligenciado.

“O brasileiro consome muito brasileiro”, afirmou, enfatizando a necessidade de se reconhecer na produção cultural da região.

Nesse sentido, fez um chamado para aproveitar o acesso à tecnologia para não se limitar a “o que a pessoa já conhece” e evitar os “lugares imperialistas que tanto dano estão nos causando” em termos culturais.

Falando sobre integração, surgiu a ideia de “observar o que está funcionando em outros países”, como as mobilizações no Chile e na Bolívia a favor de diferentes demandas sociais, para avaliar “por que isso não pode ser replicado no Brasil”.

“Esquecemos que somos atores políticos”, lamentou uma das jovens, após criticar que a cidadania costuma estagnar em falar dos problemas sem ativar ações populares para exigir, como cidadãos, que a política brasileira preste contas.

O encontro “Governos do Futuro: Expectativas da Juventude”, organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) com o apoio da Agência EFE, é um espaço de debate para que os jovens brasileiros e do restante da América Latina expressem suas visões sobre a democracia e suas perspectivas sobre o futuro do modelo político.

Os debates serão retomados nesta quarta-feira e servirão de base para a redação de uma declaração consensual que reunirá as aspirações e demandas dos participantes. EFE