O Estado deve incorporar a alfabetização midiática e digital como componente curricular obrigatório na educação básica e superior, capacitando os jovens para identificar a desinformação, verificar fontes e compreender o funcionamento dos algoritmos.
Esse é um dos pontos principais da Carta da Juventude pelo Futuro da Democracia, um documento político elaborado em consenso durante os dois dias de debate que integraram o fórum ‘Governos do futuro: Expectativas da Juventude’, organizado em Brasília pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) com o apoio da Agência EFE.
A declaração, cuja versão final ainda está em processo de revisão, coloca ênfase especial em que os Estados devem regular as plataformas digitais para garantir a transparência algorítmica e a responsabilização pela amplificação de conteúdos falsos.
O texto recomenda à sociedade que as famílias, escolas e organizações da sociedade civil promovam ativamente uma cultura de “responsabilidade informacional” e reconhece a desinformação como uma ameaça concreta à democracia e à vida das juventudes.
O documento, escrito por 100 pessoas, entre jovens e organizações da sociedade civil presentes em Brasília, conta com cinco recomendações dirigidas aos governos.
Outro dos pontos da declaração exige que o Estado trate a violência contra jovens mulheres, negros, indígenas e minorias sexuais como uma “crise estrutural”, o que deve resultar na implementação de políticas públicas, incluindo a formação contínua das corporações policiais.
O texto também reivindica a criação de mecanismos permanentes e vinculativos de participação juvenil, que garantam que as juventudes ocupem um “espaço efetivo” nos locais de tomada de decisões.
De forma paralela, é pedido que se garanta o trabalho digno e o usufruto do tempo livre, para que os jovens possam exercer plenamente seus direitos cidadãos.
O último ponto da declaração pede que as autoridades levem serviços públicos a todo o território, incluindo territórios tradicionais, periferias de zonas urbanas e zonas rurais, e que sejam tomadas medidas urgentes para que a crise climática seja considerada uma agenda prioritária nos territórios mais vulneráveis.
A Carta da Juventude pelo Futuro da Democracia será publicada nos próximos dias, como uma carta aberta dirigida às autoridades.
O encontro ‘Governos do futuro: Expectativas da Juventude’ reuniu jovens brasileiros de diferentes origens e, por meio de participação por vídeo, também de toda a América Latina, com o objetivo de debater sobre os desafios da democracia e da participação dos jovens na política. EFE