Miguel Ángel Oliver pede que “compromissos” climáticos gerem “soluções concretas”

O presidente da Agência EFE, Miguel Ángel Oliver, defendeu nesta quinta-feira a necessidade urgente de “transformar os compromissos em resultados” e aproximar as grandes metas globais de “soluções concretas” diante de uma crise climática que não para de enviar sinais em todo o planeta.

Em uma participação por vídeo durante a abertura do IV Fórum Latino-Americano de Economia Verde (FLEV), em São Paulo, Oliver ressaltou que, com o olhar atento para a próxima COP31 na cidade de Antalya, na Turquia, o desafio atual está em definir a que velocidade e com que impacto social e econômico a transição ecológica será executada.

“A terra nunca esteve parada na América do Sul”, afirmou o presidente da EFE, ao lembrar a recente sequência de terremotos ocorridos em países como Colômbia, Venezuela e Peru.

“Entender por que ela ruge tanto exige olhar sob a superfície, mas também para cima, nas cidades e casas que foram construídas sobre esse solo em permanente tensão”, acrescentou.

Nesse sentido, ele disse que esses fenômenos, somados a emergências extremas como a recente avalanche no Nepal ou abalos sísmicos em outras partes do planeta evidenciam a “fragilidade humana diante do poder da natureza”.

E, para fazer frente a essa vulnerabilidade, Oliver defendeu a combinação dos investimentos com “a aposta no conhecimento” e o urbanismo, já que, “em um território onde a terra nunca está fixa, a resiliência depende de normas rígidas, planejamento urbano e educação”.

Além disso, o presidente da EFE enfatizou que a América Latina conta com uma “posição excepcional” na nova geopolítica da energia graças a sua biodiversidade, capacidade de geração renovável e recursos minerais fundamentais para a transição energética.

No entanto, ele advertiu que a mera posse de recursos não garante o desenvolvimento se não for possível gerar tecnologia, indústria e emprego local.

Por isso, Oliver indicou que os atores regionais deverão resolver uma “equação complexa: compatibilizar sustentabilidade, produtividade e competitividade”.

“Que a região não seja apenas fornecedora dos recursos de que a economia verde mundial precisa, mas que seja protagonista da inovação e do valor que essa transformação vai produzir”, afirmou.

Por fim, o presidente da EFE defendeu a função do jornalismo para mostrar a distância entre as promessas e os fatos, assim como para promover que o debate ambiental transcenda o âmbito corporativo e institucional e se transforme em uma “verdadeira conversa social”.

A quarta edição do FLEV é composta por cinco painéis de diálogo e análise que abordam desde a adaptação das cidades diante das mudanças climáticas, a gestão sustentável de recursos hídricos e resíduos, até os avanços em matéria de inovação tecnológica e logística verde.

O evento conta com o patrocínio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do WWF-Brasil, e o apoio de AYA Earth Partners, Imaflora e Observatório do Clima. EFE