A educação sexual é um dos maiores desafios da América Latina, e, diante desse contexto, o evento esportivo mais assistido do planeta – a Copa do Mundo de futebol-, se torna uma oportunidade estratégica para abordar o tema a partir de novas estratégias direcionadas aos jovens de toda a região, que neste ano serão colocadas em prática através de um projeto promovido pela ONU e sócios internacionais.
A campanha ‘Que no te metan gol’ (“Não tome gol”, em tradução livre para o português) chegou recentemente ao México, impulsionada pela aliança SICOnfío — integrada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), pelo Conselho Nacional de População (Conapo) e pelo Senado do país—, com o objetivo de aproximar informações científicas sobre saúde sexual em um momento fundamental: às vésperas da competição global organizada pela FIFA.
Diante desse panorama, o representante do UNFPA LACRO no México, Anders Thomsen, afirmou que a educação integral em sexualidade não é apenas uma questão de saúde pública, é um direito humano.
Thomsen destacou que a educação sexual é “a ferramenta mais poderosa que podemos entregar à juventude, para que tomem decisões informadas, vivam relações baseadas no respeito e exerçam sua autonomia com total segurança”.
Por sua vez, a assessora do UNFPA Alejandra Corao advertiu que a saúde sexual juvenil continua sendo um desafio urgente porque “traz à tona um tema que é prioridade de saúde pública e um direito humano: a saúde sexual e reprodutiva da nossa juventude”.
Corao alertou que a região mantém “a segunda maior taxa de fecundidade adolescente no mundo” e insistiu em que, diante desses números, “é urgente agir”.
Além disso, ela destacou que 80% dos adolescentes da região “são expostos a conteúdos sexuais explícitos online antes de completarem 13 anos” e que “mais da metade dos jovens não usa anticoncepcionais em sua primeira relação sexual”.
Por isso, para a especialista, “a educação integral em saúde sexual” é a ferramenta mais potente que existe, já que uma juventude informada tem melhores oportunidades educacionais, profissionais e de desenvolvimento.
Quebrar recordes para fazer história
Como parte central da campanha, no dia 14 de maio, será realizada a maior aula de educação sexual da história, com a qual se pretende quebrar um recorde global, segundo os organizadores.
Esta experiência será realizada em um estádio virtual interativo, projetado para replicar a emoção de uma transmissão esportiva em tempo real.
Através dessa dinâmica, jovens de México, Colômbia e Brasil, assim como do resto da América Latina, poderão se conectar para participar de uma aula aberta que combina entretenimento com conteúdo baseado em evidências.
Prevenção, alcance regional e incentivos
O integrante da Federação Latino-americana de Sociedades de Sexologia e Educação Sexual Luis Perelman explicou que o objetivo é trabalhar lado a lado com os jovens através da tecnologia para lutar contra a desinformação.
A iniciativa contará com a participação de especialistas, porta-vozes e figuras públicas, e será transmitida simultaneamente em vários países, com tradução para o português.
Além disso, aqueles que participarem receberão certificados digitais e recompensas, como parte de uma estratégia para incentivar a presença e o aprendizado.
A campanha coloca sobre a mesa uma conversa que costuma ser mantida em segundo plano: a prevenção na saúde sexual. E faz isso em um momento fundamental, apostando que, neste “jogo”, a melhor estratégia é estar informado.
Sob o lema: ‘Queremos um futuro que seja o melhor para os nossos jovens’, a campanha, lançada em 8 de abril aposta em um enfoque inovador ao buscar transferir para os campos do futebol conceitos de prevenção e autocuidado e se conectar com os jovens de maneira direta em uma região onde conteúdos esportivos e digitais tem alto impacto na população. EFE