Nova York (EFE).- O ministro de Comércio Exterior e Turismo do Peru, Juan Carlos Mathews, disse em entrevista à Agência EFE que as tensões políticas geradas por declarações do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, não impedirão os avanços da Aliança do Pacífico, que continua sendo “um espaço de oportunidades” para os empresários dos quatro países que compõem o bloco econômico.
O chefe de Estado mexicano afirmou não reconhecer a liderança da atual presidente peruana, Dina Boluarte, que assumiu em agosto a presidência pro tempore da aliança composta por Chile, Peru, México e Colômbia.
Durante a 78ª sessão da Assembleia Geral da ONU, e pouco antes de um evento para promover o bloco na sede da associação de profissionais de finanças CFA Society, o ministro peruano destacou a tensão política desencadeada pela postura de López Obrador e ressaltou que para alcançar os objetivos da Aliança seria necessário que houvesse, além dos esforços privados, “um Estado promotor e facilitador”.
EXPECTATIVAS POSITIVAS.
Apesar das diferenças entre os países, Mathews garantiu que há expectativas positivas e que, durante sua presidência pro tempore, o Peru quer fortalecer as cadeias globais de valor da Aliança do Pacífico.
Segundo o ministro peruano, não se trata apenas de pensar em como aumentar o comércio, o investimento e o turismo entre os países do bloco, “mas coletivamente”.
Nesse sentido, defendeu ofertas comerciais conjuntas dos países da Aliança a terceiros.
“Se o Peru produz uvas frescas durante sete meses do ano e o Chile produz durante outros cinco, faz sentido criar um consórcio binacional e criar uma única marca entre nós”, exemplificou.
“Temos que articular e montar bem os projetos para que eles funcionem”, acrescentou Mathews.
ESTABILIDADE MACROECONÔMICA.
O ministro peruano também afirmou que, apesar das mudanças de governo nos últimos anos no Peru, o que mais interessa àqueles que decidem investir no país é “a estabilidade macroeconômica e a segurança jurídica”.
Mathews destacou que, de acordo com as impressões que obteve dos investidores nos Estados Unidos, “o Peru e a Colômbia são os países com maior potencial” nesse sentido.
De acordo com o ministro, os investidores consideram que, em termos econômicos, o Peru tem “uma das menores taxas de inflação, boas reservas, um déficit fiscal de menos de 2%, uma posição de dívida melhor do que qualquer outro país da América Latina”, juntamente com o Chile. EFE