O presidente da Câmara de Salamanca, Carlos García Carbayo, enalteceu a entrada em funcionamento do novo Porto Seco, afirmando que este irá melhorar o desenvolvimento industrial e comercial da região e, como tal, solicitou ao Governo central de Espanha que “olhe para o Corredor Atlântico com o mesmo carinho com que olha para o Mediterrâneo“.
“Os investimentos não aparecem, apesar de os pedirmos insistentemente, e este é o momento de compensar e aproveitar a vontade de progressão das nossas cidades, queremos que contem connosco”, lamentou o autarca.
García Carbayo participou no ‘Diálogos EFE Desayunos Ibéricos ‘Salamanca – Guarda: el nuevo nodo logístico del Atlántico’ (‘Pequenos-almoços Ibéricos ‘Salamanca – Guarda: o novo centro logístico do Atlântico’, em português), organizado pela Agência EFE na sua sede em Madrid, em parceria com a Câmara de Salamanca e a Câmara Municipal da Guarda.
Durante a conversa com o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, Carlos García Carbayo celebrou a cooperação entre ambas regiões, sobre as quais disse que historicamente têm sido “deixadas ao deus-dará” pelos Governos centrais dos dois países, mas que “agora isso torna-se numa vantagem” para se tornarem um ponto de passagem das mercadorias que chegam à costa do Atlântico.
OAssim é o novo Porto Seco de Salamanca

O novo Porto Seco de Salamanca (ZALDESA) é um projeto infraestrutural que contou com um investimento total de quase 34 milhões de euros, com uma área de 88.000 metros quadrados que está adaptada para comboios de até 750 metros de comprimento e ligada aos principais portos marítimos portugueses de Leixões e Aveiro.
O autarca salmantino explicou que esta plataforma intermodal tem capacidade para movimentar até 700.000 toneladas por ano e conta com uma capacidade de armazenamento de até 54.000 metros cúbicos de cereais e fertilizantes, graças às novas instalações de transbordo.
“A obra principal está terminada, tenho que reconhecer aqui que foi graças ao apoio do Governo de Castela e Leão“, comentou, acrescentando depois que nos planos de ampliação encontra-se o objetivo de chegar a 1 milhão de hectares urbanizados.
Sobre a gestão da infraestrutura, foi anunciado há umas semanas o acordo com a Tracción Rail, empresa do Grupo Azvi, que irá comandar a exploração do Porto Seco de Salamanca durante um período de 25 anos e que se comprometeu a um investimento adicional de cerca de 5 milhões de euros para ampliar a capacidade de armazenamento de granéis.
O Porto Seco de Guarda
No caso da Guarda, a construção do seu Porto Seco começou em maio de 2025 e com um investimento de 3,7 milhões de euros durante a sua primeira fase, e o autarca da cidade garantiu que estará em funcionamento neste verão de 2026.
“Quero destacar a vantagem ambiental do Porto Seco, juntamente com outro fator importante: as empresas que se instalarem perto destes portos terão menos custos do que noutras infraestruturas. É uma grande vantagem para as empresas que queiram exportar e importar”, precisou Costa.
O autarca português quis também deixar uma mensagem ao governo do seu país, uma vez que considera que “centralizaram muito as suas políticas, em demasia, ao longo dos últimos 50 anos”, e considerou que se encontram perante uma oportunidade para impulsionar o desenvolvimento deste e de outros projetos, como a linha de alta velocidade entre a zona de Aveiro e Salamanca e a sua continuação até Madrid. EFE